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Textos Beatriz

Regina Pessoa nasceu em Coimbra em 1969 e licenciou-se em Pintura na Escola de Belas Artes do Porto, em 1998.


Frequentou vários ateliers de animação, nomeadamente no Cinanima, orientado por Rodolfo Pastor, sobre story-board e filme (técnica de recortes) em 1992; Estágio de Animação (Desenho e Volume), uma co-produção dos estúdios Filmógrafo (Portugal) e Lazennec Bretagne (França), 1993/94; Cartoon Master - "Como apresentar um Projecto", em Asolo, Itália, 1995. Em 1995 participou no Espace Projets – Annecy, em 1995, com o projecto "A Noite";

Determinante na sua vida o ano de 1992, em que começa a trabalhar no Filmógrafo - Estúdio de Cinema de Animação do Porto. Aí, participa, como animadora, no filme "Os Salteadores", de Abi Feijó - 92/93; seguidamente faz a animação e design gráfico do filme "Fado Lusitano", de Abi Feijó - 94/95; e ainda a animação do filme “Clandestino”, de Abi Feijó - 99/2000.

Como realizadora de animação conta com diversos filmes entre os quais “Ciclo Vicioso” (1996), que fez parte da campanha, para a GlaxoWellcome, contra os malefícios do tabaco e em co-realização com Abi Feijó e Pedro Serrazina. Seguiu-se “Estrelas de Natal” (1998) para a RTP com co-realização de Abi Feijó, “A Noite” (1999) que apesar de ser uma curta-metragem, teve exibição comercial, foi incluído pela Agence du Court Metrage Française (França), como complemento de longas metragens e teve exibição televisiva na RTP e no Canal+ de Espanha. Realizou posteriormente “Odisseia nas Imagens” (2001), genérico de abertura para Festival com o mesmo nome, 2001.

“A Noite”, a sua primeira curta-metragem a solo, foi seleccionado em mais de 80 Festivais e Mostras Internacionais de Cinema, quer em competição, quer em retrospectivas ou participações especiais. Com este filme a realizadora ganhou mais de uma dezena de prémios nacionais e internacionais. Entre eles, destaque para o Prémio Jovem Cineasta Português, uma Menção Honrosa do Juri Internacional e outra do Prémio Cartoon Portugal no Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho- Cinanima 1999, Prémio Onda Curta (RTP – Radiotelevisão Portuguesa) no Fantasporto 2000, Prémio Melhor Filme de Animação do Festival de Cinema de Badajoz 2000,Espanha, uma Menção Honrosa do Júri Jovem, Dresden, 2000, na Alemanha,

Faro Jury Award, no Ulisses International Film and Television Festival for Children’2000, Portugal , Prémio Europeu “Massimo Troisi” no 3º Concurso Cinematográfico Tirrenia’2000, Itália e Prémio Cortometragio Animate, EuropaCinema e TV, 2000 – Viarregio, Itália

O seu filme “História Trágica com Final Feliz” , recém- concluído em 2004- (Infelizmente ainda não está concluído… Espero que esteja em 2005. Portanto penso que será melhor dizer algo do género: em producção ou estará concluído em 2005) , recebeu já o Prémio SACD, o Prémio ARTE e o Prémio GTS– No concurso Espace projects, do Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy’2001, França  e foi seleccionado para produção no âmbito do programa “Arstiste en Résidence” do Estúdio Francês de Animação “Folimage”.Trata-se de uma co-produção entre 3 países: França (Folimage), Canadá (National Film Board) e Portugal (Ciclope).

 

 

Texto Biográfico/ Relação com o Porto

 

Vivi no campo, numa aldeia perto de Coimbra até aos 17 anos. O meu universo era rural. Não tínhamos televisão, o que na altura era uma grande maçada, mas hoje, reflectindo bem, acho que me salvou. Nos tempos livres pensávamos, líamos e ouvíamos os mais velhos contarem histórias.

 

E desenhávamos também. Um tio meu encorajava-nos, desenhando nas paredes de cal e nas portas da casa da minha avó, com carvão da fogueira. O facto de desenharmos assim, pelas paredes, ainda por cima incentivados por um adulto, dava-nos uma sensação de liberdade e de grande disponibilidade também, porque se, por um lado não tínhamos papel nem lápis, arranjávamos sempre umas paredes ou portas (Talvez isso esteja no meu inconsciente porque mais tarde vim a fazer um filme gravado em placas de gesso!...).

 

E um dia, por diversas razões, deixei a aldeia e vim para o Porto. Uma delas era porque eu queria muito estudar Artes. Tinha 17 anos e vinha do campo. Morria de medo que iria encontrar na cidade, de me sentir perdida, que os meus futuros colegas fossem muito mais avançados que eu...

Mas nada disso se verificou: pouco a pouco fui encontrando o meu lugar, como nunca tinha tido antes, lá, de onde vim. E pela primeira vez senti valorizado o que eu fazia e as experiências que trazia comigo. Com as pessoas que fui conhecendo aprendi que essas banais experiências podiam dar histórias, que isso podia interessar às pessoas!

Sinto muito carinho pelo Porto: Foi uma cidade que me acolheu e que me adoptou e onde eu hoje me sinto em casa. Terei sempre "a minha aldeia", mas o Porto é a "Minha Cidade..."

 

Como cheguei à Animação

 

Cheguei ao Meio da Animação por acaso: no final do 2-º ano das Belas Artes precisei encontrar um  trabalho que me permitisse continuar a estudar. Em Julho de 92 apareci no Filmógrafo com alguns desenhos debaixo do braço, à procura de trabalho. No dia seguinte tinha um dos personagens principais d' Os Salteadores para animar...

E desde esse dia a animação tem sido, mais que a minha profissão, a minha opção de vida.

 

Por profissão entendo algo que as pessoas fazem das 9 à 5 e fazem-no para ter um salário. Depois, quando o dia acaba, sentem alivio e correm para casa para, enfim, viverem a sua verdadeira vida.

A opção de vida que me refiro é mais como fazer uma escolha, por vezes, muito difícil: implica aceitar uma situação profissional que poderá condicionar toda a nossa vida pessoal, invadindo-a, limitando-a, afectando-a.

O facto de ter escolhido trabalhar em Animação implicou eu ter que aceitar uma situação financeira frágil e um futuro incerto. Significa ainda esforçar-se por se manter acordado, porque às vezes o dia entra pela noite dentro, outras vezes o fim de semana não chega a existir ou passam-se anos sem ter férias.

Muitas vezes atravessam-se crises, surgem-nos dúvidas e interrogações, apetece-nos parar e abandonar tudo. Nesses, ajuda-me sempre relembrar uma frase o Abi me disse um dia: " Se achares que tens algo a dizer, confia em ti, luta por isso. Se isso for realmente importante para ti, dedica-te com paixão e essa entrega notar-se-á no resultado final. E as pessoas que virem o filme, de alguma forma, sentirão isso também."

Foi o ensinamento mais importante que aprendi até hoje e penso que me irá ser útil pela vida fora.

 

Presente

 

Quando acabei o meu primeiro e, até à data, único filme, "A Noite", ainda na década de 90, vivia-se nessa altura um momento próspero da Animação Portuguesa, e o futuro era encarado com optimismo. Havia um bom reconhecimento geral, nomeadamente, por parte do ICAM. Os apoios estatais pareciam seguros e tendiam a aumentar.

 

Hoje em dia as coisas já não são assim. A atmosfera que sinto à minha volta é de incerteza e insegurança.

Estou neste momento a acabar um filme, mas pergunto-me constantemente se terei oportunidade de fazer outro um dia.

Alguém até já me disse recentemente que as pessoas que se dedicam à Curta Metragem de Animação são uma "espécie em vias de extinção", o que não é muito encorajador.

Eu continuo a acreditar que a Curta Metragem é o formato ideal em Animação: tem uma duração que se adapta bem ao meio e ao tipo de narrativa utilizados; é um campo privilegiado para a experimentação de novos meios visuais, gráficos, técnicos, etc., cujos resultados a chamada Industria (longas metragens, séries etc.) utilizará.

Eu continuarei a tentar trabalhar em animação e a realizar outras curtas metragens. Tenho ideias que gostaria de desenvolver e meios, para mim desconhecidos, que gostaria de experimentar.

No entanto, no panorama actual, não me parece que vá ser fácil. Parece-me bastante provável que eu tenha que me dedicar a outras actividades para sobreviver.



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